{"id":9004,"date":"2020-03-09T09:57:15","date_gmt":"2020-03-09T09:57:15","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=9004"},"modified":"2020-03-13T11:04:32","modified_gmt":"2020-03-13T11:04:32","slug":"medicina-fica-mais-feminina-mas-ainda-e-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/03\/09\/medicina-fica-mais-feminina-mas-ainda-e-desigual\/","title":{"rendered":"Medicina fica mais feminina, mas ainda \u00e9 desigual"},"content":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que a medicina se torna cada vez mais feminina, a desigualdade salarial das m\u00e9dicas \u00e9 maior do que a encontrada na m\u00e9dia de todas as ocupa\u00e7\u00f5es de mulheres no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Elas, que representam 45,6% dos 452.801 dos profissionais m\u00e9dicos do pa\u00eds, tamb\u00e9m continuam pouco presentes em cargos de lideran\u00e7a nos conselhos e entidades da categoria.<\/p>\n<p>Em 2018, o rendimento m\u00e9dio das m\u00e9dicas em atividade no Brasil, com idades entre 25 e 49 anos, equivalia a 71,8% do recebido pelos m\u00e9dicos, segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios) do IBGE: R$ 12.618 contra R$ 17.572. Nessa faixa et\u00e1ria, as m\u00e9dicas j\u00e1 s\u00e3o maioria: 53,2% dos profissionais ativos.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 maior do que a m\u00e9dia geral de rendimento de todas mulheres ocupadas nessa faixa et\u00e1ria (R$ 2.050), que equivale a 79,5% do recebido pelos homens (R$ 2.579).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9007\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/medicas_folha_2.jpg\" alt=\"\" width=\"586\" height=\"538\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/medicas_folha_2.jpg 586w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/medicas_folha_2-300x275.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 586px) 100vw, 586px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9008\" src=\"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/medicas_folha_3.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"537\" srcset=\"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/medicas_folha_3.jpg 610w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/medicas_folha_3-300x264.jpg 300w, https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/medicas_folha_3-600x528.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/p>\n<p>Os dados do IBGE, compilados a pedido da Folha pelo professor da USP Mario Scheffer, coordenador da Demografia M\u00e9dica, corroboram estudo sobre o tema publicado na revista cient\u00edfica British Medical Journal em 2019.<\/p>\n<p>O trabalho mostrou que a desigualdade de renda a favor dos m\u00e9dicos permaneceu mesmo ap\u00f3s ajustes de vari\u00e1veis, como especialidade, carga hor\u00e1ria, anos de formado e local de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cA feminiza\u00e7\u00e3o na medicina \u00e9 s\u00f3 um fen\u00f4meno quantitativo, n\u00e3o quer dizer maior igualdade de g\u00eanero. A presen\u00e7a feminina est\u00e1 aumentando, mas isso n\u00e3o se reflete em igualdade de sal\u00e1rios ou de maior presen\u00e7a no corpo docente das faculdades, nas entidades representativas e nos cargos de lideran\u00e7as administrativas dos grandes hospitais\u201d, diz Scheffer.<\/p>\n<p>Tanto no CFM (Conselho Federal de Medicina) quanto na AMB (Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira), a presid\u00eancia e todas as vice-presid\u00eancias s\u00e3o ocupadas por homens.<\/p>\n<p>As mulheres figuram a partir da secretaria-geral. No CFM, dos 11 cargos da diretoria, tr\u00eas s\u00e3o ocupados por mulheres. Atualmente, elas representam um quarto dos conselheiros m\u00e9dicos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para Dilza Teresinha Ambr\u00f3s, secret\u00e1ria-geral do CFM, uma maior participa\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicas nas diretorias dos conselhos \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de tempo. \u201cAinda \u00e9 pouco, mas temos avan\u00e7ado bastante.\u201d<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o da nova diretoria da centen\u00e1ria ANM (Academia Nacional de Medicina) \u00e9 ainda mais discrepante. Todos os 15 integrantes, empossados na \u00faltima ter\u00e7a (3) para o bi\u00eanio 2020-2021, s\u00e3o homens.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 ineg\u00e1vel a necessidade de termos mais mulheres ocupando posi\u00e7\u00f5es de destaque. Mas elas tamb\u00e9m precisam buscar essas oportunidades, se candidatarem\u201d, afirma o oftalmologista paulista Rubens Berfort Filho, primeiro m\u00e9dico fora do Rio de Janeiro a assumir a presid\u00eancia da ANM.<\/p>\n<p>A cirurgi\u00e3 Angelita Habr-Gama e a psiquiatra Carmita Abdo s\u00e3o algumas das m\u00e9dicas pioneiras em entidades representativas de suas \u00e1reas.<\/p>\n<p>Gama presidiu as sociedades brasileira e latino-americana de coloproctologia e o Col\u00e9gio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Abdo foi a primeira mulher a ocupar a presid\u00eancia da ABP (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria), entre 2017 e 2019, e \u00e9 secret\u00e1ria-geral da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira.<\/p>\n<p>\u201cEu nunca pleiteei a vida associativa, ela foi uma consequ\u00eancia da minha carreira acad\u00eamica. Eu perten\u00e7o a alguns colegiados h\u00e1 muito tempo, mas uma coisa maior, como a presid\u00eancia da ABP, s\u00f3 aconteceu na sexta d\u00e9cada da minha vida\u201d, diz Abdo, 70.<\/p>\n<p>Segundo ela, \u00e9 preciso voca\u00e7\u00e3o para ocupar cargos de lideran\u00e7a que exigem dedica\u00e7\u00e3o extra e, muitas vezes, colocam a pessoa numa posi\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria. \u201cVoc\u00ea tem que tomar decis\u00f5es, resolver impasses e diferen\u00e7as. Entendo que muitas pessoas, homens e mulheres, n\u00e3o queiram isso.\u201d<\/p>\n<p>Uma das experi\u00eancias que mais a agradou durante a gest\u00e3o ABP foi a oportunidade de conhecer de perto a realidade da psiquiatria no pa\u00eds e receber muitas manifesta\u00e7\u00f5es de carinho e respeito. \u201cAs meninas diziam: \u2018voc\u00ea \u00e9 minha inspira\u00e7\u00e3o\u2019. Fiquei emocionada.\u201d<\/p>\n<p>A psiquiatra afirma que nunca se sentiu discriminada ou desvalorizada dentro da medicina por ser mulher. \u201cNunca esperei menos. A gente pode e deve perseguir o que deseja. Mas precisa ter a<br \/>\nautoestima no lugar.\u201d<\/p>\n<p><strong>PIONEIRA EM CIRURGIA NA USP, ANGELITA GAMA DRIBLOU \u2018N\u00c3OS\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Primeira mulher titular em cirurgia da USP, a primeira a ser aceita pela sociedade americana de cirurgia e a primeira premiada pela sociedade europeia de cirurgia.<\/p>\n<p>Desde 1952, quando entrou na Faculdade de Medicina da USP, aos 19 anos, Angelita Gama coleciona pioneirismos.<\/p>\n<p>Neste domingo (8), a m\u00e9dica lan\u00e7a a biografia \u201cO n\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resposta\u201d (DBA Editora), escrita por Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o. Na obra, ela relata as barreiras enfrentadas e as realiza\u00e7\u00f5es na \u00e1rea cir\u00fargica, ainda hoje uma das com menor n\u00famero de mulheres.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro n\u00e3o que eu ouvi foi dos meus pais quando optei pela medicina e eles queriam que eu fosse professora como minhas irm\u00e3s. Depois, quando decidi pela cirurgia, o chefe da resid\u00eancia disse que era melhor eu ir para a \u00e1rea cl\u00ednica, que a cirurgia era para homens. Fui em frente, prestei concurso e passei.\u201d<\/p>\n<p>Quando decidiu pela especialidade de coloproctologia voltou a enfrentar resist\u00eancia. Ap\u00f3s conseguir uma bolsa para estagiar em um hospital de Londres especializado em cirurgias colorretais, foi barrada inicialmente sob o argumento de que a institui\u00e7\u00e3o s\u00f3 aceitava homens. \u201cFui a primeira mulher a estagiar l\u00e1.\u201d<\/p>\n<p>Ao entrar para o mercado de trabalho, as coisas se tornaram mais simples, segundo ela. \u201cSempre trabalhei em p\u00e9 de igualdade, no mesmo n\u00edvel de trabalho dos homens, ou at\u00e9 mais\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Casada h\u00e1 56 anos com o tamb\u00e9m cirurgi\u00e3o Joaquim Gama, a m\u00e9dica diz que continua bem humorada e satisfeita com a vida, operando no mesmo ritmo de antes.<\/p>\n<p>\u201cLevanto \u00e0s 6h da manh\u00e3 e s\u00f3 volto pra casa \u00e0 noite. Felizmente, tenho uma sa\u00fade muito boa, uma resist\u00eancia f\u00edsica excelente. Aguento firme o meu trabalho em p\u00e9 de igualdade com meus colegas at\u00e9 mais jovens.\u201d<\/p>\n<p>Para ela, que n\u00e3o tem filhos, as mulheres s\u00e3o t\u00e3o boas quanto os homens no exerc\u00edcio profissional, mas, quando se tornam m\u00e3es, tendem a dedicar um tempo menor \u00e0 carreira e tamb\u00e9m enfrentam mais dificuldades para assumir cargos associativos.<\/p>\n<p>\u201cEm geral, as fun\u00e7\u00f5es da maternidade acabam se tornando priorit\u00e1rias para as mulheres. Eu nunca tive voca\u00e7\u00e3o maternal, mas sempre tive muita voca\u00e7\u00e3o para operar. Descobri muito cedo o meu dom.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: Folha de SP Ao mesmo tempo em que a medicina se torna cada vez mais feminina, a desigualdade salarial das m\u00e9dicas \u00e9 maior do que a encontrada na m\u00e9dia de todas as ocupa\u00e7\u00f5es de mulheres no pa\u00eds. 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