{"id":9714,"date":"2020-05-04T13:46:03","date_gmt":"2020-05-04T13:46:03","guid":{"rendered":"http:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/?p=9714"},"modified":"2020-05-05T17:32:19","modified_gmt":"2020-05-05T17:32:19","slug":"combate-ao-coronavirus-expoe-concentracao-da-industria-de-medicamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sobedrj.com.br\/novo\/2020\/05\/04\/combate-ao-coronavirus-expoe-concentracao-da-industria-de-medicamentos\/","title":{"rendered":"Combate ao coronav\u00edrus exp\u00f5e concentra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de medicamentos"},"content":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil<\/p>\n<p class=\"story-body__introduction\">A disputa por medicamentos em meio ao combate ao novo coronav\u00edrus deixa em evid\u00eancia problemas antigos de uma ind\u00fastria trilion\u00e1ria que, segundo especialistas, n\u00e3o necessariamente atende aos interesses dos pacientes ou de governos, nem mesmo em tempos de pandemia.<\/p>\n<p>O acesso a rem\u00e9dios mundo afora \u00e9 desigual. E os investimentos em pesquisa priorizam a medica\u00e7\u00e3o de uso cont\u00ednuo, ou princ\u00edpios ativos mais rent\u00e1veis do que antibi\u00f3ticos e vacinas.<\/p>\n<p>Concentrado nas m\u00e3os de um punhado de empresas poderosas, instaladas sobretudo em pa\u00edses ricos, o mercado farmac\u00eautico \u00e9 guiado por muitos interesses. E boa parte deles gira em torno das finan\u00e7as, dizem especialistas ouvidos pela BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Nesse segmento que movimentou US$ 1,2 trilh\u00e3o (pouco mais de R$ 6 trilh\u00f5es) em 2018, as 10 maiores companhias do mundo em volume de vendas tiveram receitas de US$ 351,55 bilh\u00f5es. Seis delas s\u00e3o dos Estados Unidos (Pfizer, Johnson&amp;Johnson, Merck&amp;Co, Abbvie, Amgen e Gilead), duas da Su\u00ed\u00e7a (Roche e Novartis), uma da Fran\u00e7a (Sanofi) e outra do Reino Unido (GlaxoSmithKline).<\/p>\n<p>Os dados constam do levantamento publicado pela Evaluate, empresa de an\u00e1lise de dados do mercado farmac\u00eautico, em maio do ano passado, com base em informa\u00e7\u00f5es de 2018.<\/p>\n<p>S\u00e3o essas mesmas empresas que determinam pre\u00e7os e quem tem acesso aos medicamentos. O sistema de incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tem um desequil\u00edbrio cr\u00f4nico e isso est\u00e1 nos relat\u00f3rios da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos sem Fronteiras (MSF) desde a d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1, segundo a entidade, est\u00edmulo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de medicamentos para doen\u00e7as negligenciadas ou ligadas \u00e0 pobreza.<\/p>\n<p>Por sinal, o mesmo documento da Evaluate indica que as dez maiores investiram US$ 66,14 bilh\u00f5es em pesquisa e desenvolvimento, menos de 20% das receitas que obtiveram no per\u00edodo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Monop\u00f3lio pelas patentes<\/h2>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que essas farmac\u00eauticas t\u00eam a sua pr\u00f3pria lista de prioridades. E a primeira \u00e9 que querem estar nos mercados mais lucrativos (da\u00ed a op\u00e7\u00e3o de pa\u00edses), a segunda \u00e9 que dedicam as suas pesquisas a medicamentos de uso cont\u00ednuo para doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Ela rendem mais. Isso explica por que investem pouco em novos antibi\u00f3ticos, que, ainda que custem caro, s\u00e3o usados por um curto per\u00edodo de tempo&#8221;, disse Felipe Carvalho, especialista em acesso da MSF.<\/p>\n<p>Por mais complexa que seja a cadeia de produ\u00e7\u00e3o de medicamentos, \u00e9 ineg\u00e1vel que fabric\u00e1-los \u00e9 um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria farmac\u00eautica est\u00e1 entre as 10 mais lucrativas do mundo, com uma margem de lucro de 22,78%, j\u00e1 descontado o pagamento de impostos, de acordo com a pesquisa da revista Forbes no ano passado.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia do que isso significa, a m\u00e9dia das margens das ind\u00fastrias em geral seria de 10,32%, segundo a revista.<\/p>\n<p>&#8220;O governo geralmente paga as pesquisas b\u00e1sicas e a maior parte daqueles que oferecem mais riscos. Ent\u00e3o, acaba tipicamente garantindo o monop\u00f3lio na forma de patentes. No final das contas, ainda paga pela droga a partir dos seus sistemas de sa\u00fade. Ent\u00e3o, onde est\u00e1 o livre mercado?&#8221;, afirma \u00e0 BBC Brasil, o professor de Economia da Universidade de Massachussets, Lawrence King.<\/p>\n<p>Ele afirma, ainda, que as empresas definem pre\u00e7os quase sem concorr\u00eancia, determinando os rumos do mercado.<\/p>\n<p>Para ele, a concentra\u00e7\u00e3o deste mercado imenso se justifica pelo poder cada vez maior das corpora\u00e7\u00f5es, sobretudo pela falta da aplica\u00e7\u00e3o das leis antitruste a partir da d\u00e9cada de 1980. &#8220;E a maneira como isso se intensificou nos anos 2000 aumentou de forma dram\u00e1tica os monop\u00f3lios&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer, contudo, segundo King, que as empresas sejam necessariamente &#8220;vil\u00e3s&#8221; ou que atuem de maneira imoral. A quest\u00e3o \u00e9 a estrutura atual de incentivos, diz ele. Os lucros na casa dos bilh\u00f5es que obt\u00eam anualmente n\u00e3o se devem apenas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de medicamentos, por mais caro que custem, ou por mais necess\u00e1rios que sejam. A maior parte dessas companhias recorre a expedientes legais para maximizar o valor das suas a\u00e7\u00f5es em bolsa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Estrat\u00e9gias de mercado<\/h2>\n<p>King \u00e9 coautor do estudo &#8220;Apostando na hepatite C: como a especula\u00e7\u00e3o financeira no desenvolvimento de drogas influencia o acesso a medicamentos&#8221;, publicado quando ainda era professor de Sociologia e Pol\u00edtica Econ\u00f4mica da Universidade Cambridge.<\/p>\n<p>O texto foi a base da tese de doutorado de seu ex-aluno Victor Roy, que hoje \u00e9 m\u00e9dico no Boston Medical Centre, onde atende 200 pacientes com covid-19, sendo 50 em estado grave na UTI.<\/p>\n<p>Ambos defendem que as estrat\u00e9gias de fus\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o das empresas farmac\u00eauticas ampliam seus custos de desenvolvimento e fazem com que o p\u00fablico acabe pagando bem mais caro pelos medicamentos.<\/p>\n<p>Roy n\u00e3o desmerece os esfor\u00e7os das empresas, mas afirma que existe uma esp\u00e9cie de &#8220;parasitismo&#8221; na cadeia produtiva. Ele conta que muitas grandes empresas compram pequenos laborat\u00f3rios ou start-ups quando percebem que h\u00e1 projetos promissores e altamente rent\u00e1veis, como foi o caso do sofosbuvir, antiviral contra a hepatite C, considerado um marco no mercado, pelo poder de cura de 90%.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio ativo foi criado por uma start-up, que estimou seus custos em US$ 200 milh\u00f5es. A pequena empresa foi comprada pela americana Gilead, em 2011, quando o produto estava nas fases finais de teste, por nada menos que US$ 11 bilh\u00f5es, diante da promessa de faturamento de US$ 20 bilh\u00f5es nos anos seguintes.<\/p>\n<p>&#8220;Essas empresas tamb\u00e9m t\u00eam o poder de acelerar a fase final dos testes de obter a aprova\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida do FDA&#8221;, conta Roy, referindo-se \u00e0 ag\u00eancia reguladora do setor nos EUA.<\/p>\n<p>A Novartis afirma que vendeu seus neg\u00f3cios relacionados a vacinas ainda em 2015, e que abandonou a pesquisa antibacterial e antiviral em 2018.<\/p>\n<p>&#8220;Embora a ci\u00eancia para esses programas seja atraente, decidimos priorizar nossos recursos em outras \u00e1reas em que acreditamos estar melhor posicionados para desenvolver medicamentos inovadores que ter\u00e3o impacto positivo para os pacientes&#8221;, diz a assessoria de imprensa.<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m diz que seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento no ano passado foram de US$ 9,4 bilh\u00f5es ou 19,8% das vendas l\u00edquidas. E afirma que est\u00e1 &#8220;constantemente reavaliando esses planos&#8221; de acordo com as demandas n\u00e3o atendidas em popula\u00e7\u00f5es com menos acesso. &#8220;Nosso objetivo \u00e9 disponibilizar nossos produtos em pa\u00edses com o maior peso da doen\u00e7a a ser tratada&#8221;, afirma a assessoria.<\/p>\n<p>A companhia diz ainda que busca meios de expandir o uso cl\u00ednico de medicamentos existes para novas indica\u00e7\u00f5es e popula\u00e7\u00f5es, como \u00e9 o caso da hidroxicloroquina, neste momento, que tem sido testada para uso em pacientes com a covid-19.<\/p>\n<p>Eles ainda mencionam seu &#8220;compromisso para reduzir o fardo das doen\u00e7as infecciosas e tropicais&#8221;, destacando o Novartis Institute for Tropical Diseases (NITD), dedicado \u00e0 busca de novos rem\u00e9dios para doen\u00e7as negligenciadas. &#8220;E continuamos avan\u00e7ando em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias doen\u00e7as infecciosas como a mal\u00e1ria, doen\u00e7a do sono na \u00c1frica, leishmaniose e doen\u00e7a de Chagas&#8221;, informa.<\/p>\n<p>Sobre o pre\u00e7o dos seus medicamentos, a empresa destaca levar em conta estrat\u00e9gias para que sejam acess\u00edveis e tragam solu\u00e7\u00f5es inovadoras para gerir uma doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Para isso, &#8220;nos esfor\u00e7amos para levar em conta n\u00edveis de renda, barreiras locais a rem\u00e9dios mais acess\u00edveis e realidades econ\u00f4micas, enquanto mantemos a sustentabilidade do nosso neg\u00f3cio&#8221;. A empresa ainda explica que criou marcas locais para muitas terapias inovadoras em pa\u00edses em desenvolvimento para garantir que sejam mais acess\u00edveis.<\/p>\n<p>A brit\u00e2nica GlaxoSmithKline afirma que calcula os pre\u00e7os do seus medicamentos e vacinas para que sejam acess\u00edveis a todos aquele que precisam, com base na realidade dos pa\u00edses e dos pacientes.<\/p>\n<p>A empresa destaca que fato de estar no topo do ranking \u00cdndice de Acesso a Medicamentos (ATMI, na sigla em ingl\u00eas) desde 2008 reflete a for\u00e7a do seu compromisso global de longo prazo com a melhora do acesso a sa\u00fade. E afirma ter pol\u00edticas inovadoras para determinar seus pre\u00e7os em pa\u00edses em desenvolvimento, e em na\u00e7\u00f5es de menos desenvolvidas, de baixa renda, para quem abre m\u00e3o das patentes dos medicamentos.<\/p>\n<p>A Pfizer pondera que, em meio a uma pandemia como a atual, somente as grandes empresas, com opera\u00e7\u00f5es globais, t\u00eam a capacidade de reagir depressa. &#8220;Podemos ser flex\u00edveis&#8221;, disse o porta-voz da companhia, Andrew Widger. Isso significa produzir em muito mais quantidade e remanejar estoques entre as 40 f\u00e1bricas da empresa pelo mundo dos medicamentos mais demandados para lidar com a covid-19.<\/p>\n<p>A Pfizer j\u00e1 identificou 70 produtos necess\u00e1rios, sobretudo para lidar com pacientes em UTIs. Entre eles est\u00e3o antivirais, vacinas (para prevenir outras doen\u00e7as neste momento) e rem\u00e9dios que podem ser usados para auxiliar no tratamento.<\/p>\n<p>&#8220;A escala de produ\u00e7\u00e3o que podemos ter ajuda&#8221;, diz Widger. Segundo ele, a companhia est\u00e1 em constantes conversas com governo e autoridades do mundo inteiro. A produ\u00e7\u00e3o de alguns itens j\u00e1 est\u00e1 150% maior. Ele lembra que um medicamento novo leva de 12 a 15 anos para ser produzido.<\/p>\n<p>A resposta para a covid-19 tem sido r\u00e1pida, mas ainda assim, segundo ele, trata-se de uma doen\u00e7a identificada h\u00e1 seis meses. &#8220;E produzir medicamentos leva tempo, muitos investimentos e estamos lidando com a vida das pessoas. \u00c9 preciso que funcione e seja seguro.&#8221;<\/p>\n<p>King afirma existem centenas de tipo de coronav\u00edrus e que pelo menos dois deles s\u00e3o extremamente perigosos (o SARS e o MERS). S\u00f3 isso j\u00e1 justificaria que pesquisas b\u00e1sicas estivessem sendo feitas h\u00e1 mais tempo.<\/p>\n<p>Se houvesse um repert\u00f3rio relevante de pesquisas em andamento, segundo ele, seria muito mais f\u00e1cil desenvolver uma vacina agora. &#8220;Assim, n\u00e3o precisariam partir do zero. Isso nos leva de volta ao mesmo problema: n\u00e3o h\u00e1 incentivos para desenvolver vacinas ou essas drogas at\u00e9 que haja um surto, e a\u00ed todo mundo vai tentar correr atr\u00e1s&#8221;, diz o professor. &#8220;Qualquer custo para esse programa sairia barato do que as consequ\u00eancias econ\u00f4micas que estamos enfrentando agora&#8221;, decreta.<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 a racionalidade de curto e longo prazo. E, para as empresas privadas, especialmente nos Estados Unidos, a preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas nos pre\u00e7os das suas a\u00e7\u00f5es na bolsa. O grande neg\u00f3cio \u00e9 apostar nos aumentos de curto prazo, na recompra das pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es e da distribui\u00e7\u00e3o de dividendos. Isso \u00e9 absolutamente oposto do precisamos para estar protegidos&#8221;, afirma King.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es do relat\u00f3rio &#8220;Revis\u00e3o sobre a Resist\u00eancia Antimicrobiana&#8221; coordenado pelo economista Jim O&#8217;Neill, em 2016 era a de que, a falta de investimentos para resolver a quest\u00e3o de os antibi\u00f3ticos j\u00e1 n\u00e3o surtiam efeitos sobre certas bact\u00e9rias, custaria ao Planeta 10 milh\u00f5es de vidas por ano a partir de 2050 em fun\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es (e da falta de antibi\u00f3ticos para lidar com elas) e causaria um preju\u00edzo de US$ 100 trilh\u00f5es \u00e0 economia global.<\/p>\n<p>O documento defende 29 interven\u00e7\u00f5es que custariam US$ 42 bilh\u00f5es entre pesquisas e outras a\u00e7\u00f5es. Segundo O&#8217;Neill, o valor era menos do que o que as tr\u00eas maiores companhias farmac\u00eauticas haviam gasto recomprando suas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es ao longo de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O estudo foi encomendado ao economista, que hoje \u00e9 presidente de Chatham House, um dos think tanks mais importantes da Europa, pelo ent\u00e3o primeiro-ministro brit\u00e2nico David Cameron.<\/p>\n<p>A Roche afirma que s\u00f3 se pode combater a resist\u00eancia de bact\u00e9rias \u00e0 antibi\u00f3ticos de maneira bem sucedida se um grande n\u00famero de diferentes medidas for tomado de maneira coordenada.<\/p>\n<p>&#8220;E se a ind\u00fastria, a ci\u00eancia, as institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, governos, autoridades reguladoras e contribuintes trabalharem muito de perto&#8221;, afirma por meio de sua assessoria de imprensa. A empresa destaca que investiu cerca de US$ 12 bilh\u00f5es em pesquisa e desenvolvimento no ano passado, o que significa um aumento de 6% em rela\u00e7\u00e3o a 2018.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um dos maiores volumes de investimento em R&amp;D (research and development) de toda a ind\u00fastria farmac\u00eautica. A Roche \u00e9 um dos 10 maiores investidores do setor&#8221;, diz. A empresa, por\u00e9m, nunca investiu em vacinas. Mas garante que intensificou de maneira significativa os esfor\u00e7os no campo dos antibi\u00f3ticos nos anos recentes. &#8220;Lan\u00e7amos uma alguns exames de diagn\u00f3stico que podem identificar bact\u00e9rias em um curto espa\u00e7o de tempo, o que permite consequentemente um tratamento mais espec\u00edfico.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Cons\u00f3rcio espec\u00edfico<\/h2>\n<p>Para King, a solu\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil seria os pa\u00edses riscos criarem uma esp\u00e9cie de cons\u00f3rcio, com um fundo para investir na cria\u00e7\u00e3o de medicamentos cruciais sem patentes. &#8220;Sairia muito mais barato para eles, bem mais do que se resolvessem fazer individualmente&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Mas o professor acredita que iniciativa semelhante ainda n\u00e3o existe por duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 que o lobby das empresas farmac\u00eauticas \u00e9 grande. A segunda \u00e9 que, de alguma forma, o formato das democracias n\u00e3o estimula a\u00e7\u00f5es como esta.<\/p>\n<p>&#8220;Os benef\u00edcios n\u00e3o v\u00e3o acontecer no mesmo ciclo pol\u00edtico. Eu posso usar os meus recursos e isso \u00e9 bom para a sa\u00fade p\u00fabica, mas o retorno ser\u00e1 para talvez daqui a 10 amos, quando j\u00e1 n\u00e3o estarei mais nessa cadeira. Vou gastar dinheiro para resolver problemas futuro que n\u00e3o v\u00e3o me ajudar a ser eleito em quatro anos. \u00c9 melhor investir em algo que garanta minha elei\u00e7\u00e3o&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Em um contexto de pandemia como o atual, fica dif\u00edcil enxergar a linha t\u00eanue que separa a economia da pol\u00edtica, o que ficou ainda mais claro pela interven\u00e7\u00e3o dos Estados com pacotes multibilion\u00e1rio de ajuda financeira para conter os efeitos dram\u00e1ticos da covid-19 sobre as suas economias.<\/p>\n<p>Para o professor da Universidade de Massachussets, mesmo os economistas da corrente dominante parecem ter esquecido o que j\u00e1 era sabido nos anos 1950 e 1960: mercados privados n\u00e3o lidam bem com sistema de sa\u00fade e medicamentos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 interessante ler a imprensa, quando discute sistema de sa\u00fade, e quando voc\u00ea v\u00ea as notas dos investidores. Eles falam abertamente: n\u00e3o faz sentido curar a doen\u00e7a, porque ela acaba com o seu mercado.&#8221;<\/p>\n<p>Para Roy, a maneira como os diferentes governos v\u00e3o lidar com novo coronav\u00edrus \u2014 e outras futuras doen\u00e7as \u2014, a produ\u00e7\u00e3o de medicamentos e vacinas daqui por diante, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do monop\u00f3lio das grandes empresas, vai depender das lideran\u00e7as do futuro.<\/p>\n<p>Enquanto pa\u00edses destacam &#8220;estrat\u00e9gias de guerra&#8221;, como t\u00eam sido apresentadas pelas autoridades, para lidar com a economia, ele n\u00e3o v\u00ea os mesmos esfor\u00e7os de guerra para enfrentar a crise da sa\u00fade. Segundo o especialista, os governos deveriam investir no setor da mesma maneira que o fazem para a defesa.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m ajuda a financiar as pesquisas de um novo modelo de ca\u00e7a para pagar duas vezes o pre\u00e7o dele l\u00e1 na frente. \u00c9 tudo negociado&#8221;. afirma.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses, destaca o m\u00e9dico, est\u00e3o sempre se preparando para amea\u00e7as de guerra, fazem exerc\u00edcios militares conjuntos ou individuais. &#8220;Por que n\u00e3o agir da mesma maneira para enfrentar novas amea\u00e7as de novos v\u00edrus, ou futuras pandemias?&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Ele defende que deveria haver uma esp\u00e9cie de Nasa da biotecnologia para vacinas. &#8220;\u00c9 do que precisamos hoje. N\u00e3o podemos empurrar para frente as nossas mesmas vulnerabilidades ou piores&#8221;, diz. &#8220;\u00c9 tudo uma quest\u00e3o de escolhas pol\u00edticas&#8221;, reitera.<\/p>\n<p>A Merck&amp;Co (ou MSD, como \u00e9 mais conhecida fora dos Estados Unidos e da Am\u00e9rica do Norte), procurada, afirmou que &#8220;n\u00e3o participaria da reportagem desta vez. Johnson &amp; Johnson, Abbvie, Amgen e Sanofi n\u00e3o responderam aos e-mails enviados pela BBC Brasil aos endere\u00e7os das respectivas assessorias de imprensa fornecidos nas suas p\u00e1ginas na internet.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>fonte: BBC Brasil A disputa por medicamentos em meio ao combate ao novo coronav\u00edrus deixa em evid\u00eancia problemas antigos de uma ind\u00fastria trilion\u00e1ria que, segundo especialistas, n\u00e3o necessariamente atende aos interesses dos pacientes ou de governos, nem mesmo em tempos de pandemia. O acesso a rem\u00e9dios mundo afora \u00e9 desigual. 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