fonte: MedScape
A presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Verônica Trindade Lima, é a nova ministra da Saúde. Ela foi a primeira presidente mulher da centenária instituição de ensino e pesquisa, e será a primeira ministra da Saúde do Brasil, pasta criada em 1953.
Doutora em sociologia, mestre em ciência política e graduada em ciências sociais, Nísia é pesquisadora de produtividade de nível superior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Sua obra é referência nas áreas de pensamento social brasileiro, história das ciências e saúde pública. Lecionou e orientou gerações de alunos em todos os níveis de formação, do ensino básico ao pós-doutorado, como docente na Uerj e na Fiocruz. Também é autora de dezenas de artigos, livros e capítulos com reflexões sobre os dilemas da sociedade brasileira, sobretudo as cisões entre os Brasis urbano e rural, moderno e atrasado. Uma de suas realizações foi a criação da Biblioteca Virtual do Pensamento Social (BVPS), em colaboração com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e uma rede de instituições.
A partir de 2019, Nísia tornou-se mais conhecida pelo grande público por sua visibilidade como líder das ações da Fiocruz no enfrentamento da pandemia de covid-19 no Brasil. Ela coordenou o acordo de encomenda tecnológica na articulação entre o Ministério da Saúde do Brasil, a University of Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, ambas no Reino Unido, e as unidades locais da Fiocruz para a produção da vacina anticovídica no Brasil, que ficou mais conhecida pelos nomes AstraZeneca COVID-19, Vaxzevria ou COVISHIELD.
A conclusão do processo de transferência de tecnologia com a farmacêutica AstraZeneca fez da Fiocruz a primeira instituição do país a produzir e distribuir ao Ministério da Saúde uma vacina contra a covid-19 com produção 100% nacional. Mais de 180 milhões de doses de vacinas já foram fornecidas ao Ministério da Saúde. Em setembro de 2021, a instituição foi selecionada pela Organização Pan-Americana da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) como centro de vacinas de ARN mensageiro. Com isso, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) tornou-se um dos dois centros de desenvolvimento e produção de vacinas com tecnologia ARNm da América Latina.
Sob sua gestão, entre outros feitos, a Fiocruz tornou-se o laboratório de referência em covid-19 para a Organização Mundial da Saúde nas Américas. Em fevereiro de 2020, a instituição deu treinamento em diagnóstico laboratorial do novo coronavírus para especialistas da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai, além de preparar especialistas dos laboratórios de referência (Laboratório Central de Saúde Pública, LACEN) em todo o país. A Fiocruz também inaugurou o Biobanco Covid-19 da Fiocruz (BC19-Fiocruz) em dezembro de 2021 e a criação da Rede Genômica Fiocruz.
A pesquisadora também apoiou a criação do Observatório Covid-19, associado ao projeto do Núcleo Interdisciplinar de Emergências em Saúde (NIES), um centro de estudos sociais da ciência e da saúde a ser instalado na Fiocruz mediante apoio do Wellcome Trust.

