Em novembro de 2003, com 56 anos de idade, assintomático em relação a problemas digestivos alto e baixo, fui submetido a um cateterismo para ablação de episódios de fluter auricular no ProntoCor. Como tinha uma viagem programada para Manaus, três dias após a ablação, onde permaneceria embarcado por sete dias no Rio Negro, fui aconselhado a tomar aspirina da Bayer. Após cinco dias notei aparecimento de pequeno sangramento vivo nas fezes que parou com a suspensão da aspirina .
Voltando ao Rio de Janeiro, fiz uma colonoscopia no INCA com Dra. Maria Aparecida que diagnosticou em reto superior lesão tipo 0-IIa+IIc, de 2,5cm, T1 (SM1?). Biópsia confirmou adenocarcinoma.
Foi decidido em comum acordo que o tratamento de escolha seria cirúrgico por via laparoscópica pois na época o tratamento endoscópico era Mucosectomia.
A cirurgia transcorreu sem anormalidades tendo saído com uma ileostomia de segurança. Pós-operatório imediato sem problemas. O laudo histopatológico confirmou tratar-se de adenocarcinoma precoce T1bN0M0.
No momento, faço as colonoscopias de controle sem anormalidades.
Esse relato espero servir como uma lembrança, principalmente aos médicos, quanto a necessidade de fazer uma colonoscopia segundo as recomendações mundiais, mesmo sem sintomas com intuito de detectar lesões iniciais que hoje em dia poderão ser retiradas com novas técnicas endoscópicas com muita segurança.
OBS: Se eu não tivesse tido ao fluter e tomado Aspirina e ter um pequeno sangramento não sei se teria feito colonoscopia e provavelmente seria diagnosticado tardiamente.
Roberto Luiz Teixeira de Carvalho é especialista em Broncoscopia, Endoscopia Peroral e Digestiva e ex-chefe da Seção de Endoscopia do HC-I ( INCA), no período de 1995 a 2007.

