Modelo japonês de rastreamento de câncer colorretal é aplicado no Brasil

fonte: SOBED

Março é considerado o mês de conscientização contra o câncer colorretal. O movimento faz parte de uma ação global para chamar a atenção da sociedade para a prevenção e o diagnóstico precoce de um dos tipos de tumor com maior incidência em todo o mundo. No Brasil, a alta prevalência da doença é alarmante. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o país terá mais de 32,6 mil novos casos este ano. A enfermidade se desenvolve gradativamente, sem apresentar qualquer sintoma, por uma alteração nas células que começam a crescer de forma desordenada.

Para contornar esse problema de saúde pública, um estudo colaborativo liderado pela Tokyo Medical and Dental University (TMDU), com o apoio do Ministério da Economia, Comércio e Indústria japonês (METI), da Fujifilm e Gastrocom, distribuidor do fabricante para o Brasil, visa difundir o sistema japonês de diagnóstico de câncer de cólon no Brasil, utilizando tecnologias de ponta, incluindo endoscópios e reagentes de teste.

Considerada uma das únicas neoplasias possíveis de se fazer prevenção primária, diagnosticando precocemente e removendo os fatores causais, o câncer colorretal não costuma apresentar sintomas em fase inicial, fator que dificulta o diagnóstico precoce. Neste cenário, quanto mais cedo este tipo de câncer for diagnosticado, maiores são as chances de cura da doença. Em estágio inicial, a chance de cura do câncer colorretal é de 70% a 90%, tornando a prevenção e o controle fundamentais. O rastreamento pode detectar o câncer colorretal precocemente, quando ainda a possibilidade de cura é grande, por meio da remoção de alguns pólipos ou tumores antes de se transformarem em câncer.

Resultados

Nos primeiros seis meses de pesquisa, mais de 3,6 mil brasileiros foram submetidos a esse processo de triagem. Desse total, 269 pessoas apresentaram sangue oculto nas fezes. Após o encaminhamento para colonoscopia com equipamento de última geração, 18 pacientes foram diagnosticados com câncer colorretal, cerca de 10% dos casos investigados na segunda parte da triagem. De modo geral, a taxa de detecção da doença no Brasil por meio do modelo de rastreamento adotado foi 0,49% maior do que a detectada no Japão (0,13%). Já a taxa de acuracidade nos resultados foi de 10,53%, aproximadamente 2,5 vezes maior que a obtida no Japão (4,08%).