Em hospital que atenderá Witzel, uma endoscopia leva até 5 meses

fonte: O Globo

O governador eleito Wilson Witzel, sua mulher e filhos poderão ter que esperar cinco meses para fazer uma endoscopia no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), em Vila Isabel. Com a promessa de Witzel de cancelar o plano de saúde privado em 31 de dezembro para usar a rede pública, toda a família deve ser atendida na unidade, ligada à Uerj.

Embora o hospital tenha superado a crise mais aguda do ano passado, o tempo para fazer um simples exame ainda é longo. Só ontem Elisângela Flor, de 37 anos, pegou o resultado de uma endoscopia, indicada pelos médicos para o caso dela, em abril. Embora tenha elogiado os profissionais do Pedro Ernesto, a onde chegou encaminhada pela Clínica da Família do Catumbi, ela criticou a espera na fila:

— Foram cinco meses de espera, entre a consulta, em abril, e o exame, no mês passado. Depois, mais 40 dias para pegar o resultado. Agora vou voltar ao médico (na Clínica da Família) para ver o resultado —disse.

Sem emprego, Elisângela não teve outra alternativa a não ser esperar pelo exame na rede pública. Ela teme que a espera tenha agravado seu quadro clínico.

— Estou com uma úlcera. Acho que se agravou. São meses só tomando o remédio para aliviar a dor.

Quem pode, evita a espera. Foi o caso da aposentada Elly Carvalho, de 83 anos, que pagou cerca de R$ 600 por uma ressonância de cérebro. Paciente do hospital há 20 anos, ela contou que não havia previsão para a realizar o exame, necessário para afastar uma suspeita de Mal de Alzheimer.

— Minha mãe está esquecendo algumas coisas. Ela tinha um pedido de ressonância desde julho, mas paguei o exame pela urgência — diz a filha da idosa, Kátia Carvalho, de 44 anos.

A situação do Pedro Enresto nem de longe lembra a crise nos anos 2016 e 2017, quando foram afetadas 41 especialidades, como angiologia, cardiologia, endocrinologia, radiologia e urologia. Um professor de medicina da Uerj, que dá aula no hospital, disse que o hospital chegou a uma situação de pré-falência:

— Agora, o quadro não é o ideal, mas melhorou.

Ontem, segundo o sistema de regulação, apenas 36 dos 417 leitos eram classificados como “impedidos”, o que na atual crise da saúde é um oásis.