fonte: MedScape
O número de casos de covid-19 segue em alta no país. No dia 9 de junho de 2022, em 24 horas, houve 45.644 novos diagnósticos. Com isso, a média móvel nos últimos sete dias chegou a 37.191, variação de +65% em relação a duas semanas atrás. Houve 148 óbitos por covid-19 em 24 horas, com média móvel de mortes em sete dias de 124. Em comparação à média de 14 dias anteriores, a variação foi de 13%.
Desde o início da pandemia, o país teve 667.849 óbitos e 31.360.157 casos notificados de covid-19, segundo dados das secretarias estaduais de saúde, reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa criado para monitorar a pandemia. Fazem parte da iniciativa g1, O Globo, Extra, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e UOL.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na quarta-feira (8), o Brasil registrou o quarto maior número de casos de covid no mundo na semana de 30 de maio a 5 de junho, com um crescimento de 36% em relação à semana anterior. À nossa frente estão apenas Estados Unidos, China e Austrália. O país também apareceu entre os cinco países que tiveram mais óbitos: 652, precedido apenas por Estados Unidos e China. Depois vieram Rússia e Itália.
O número de casos registrados no Brasil corresponde a 7,15% dos mais de 3 milhões registrados em todo o mundo no período.
Fiocruz: covid representa 69% dos casos de SRAG
De acordo com o Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na quinta-feira (9), os casos de covid-19 agora correspondem a 69% das ocorrências de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) nas últimas quatro semanas epidemiológicas. O total de óbitos por vírus respiratórios também segue a mesma tendência: 92,22% foram em decorrência de covid-19.
Os dados referentes à semana de 29 de maio a 4 de junho indicam 7.700 casos de SRAG no país (6,9 – 8,6). Para as ocorrências de SRAG na população em geral, a estimativa mostra crescimento de 39,5% na média móvel de casos semanais na comparação entre a primeira e última semana de maio. Na população adulta, a partir de 18 anos, a estimativa é de que esse crescimento tenha sido de 88,7%.
“Os dados laboratoriais apontam que, no grupo de zero a 4 anos, os casos seguem fundamentalmente associados ao vírus sincicial respiratório (VSR), embora também se observe presença relevante de SARS-CoV-2 (covid-19), rinovírus e metapneumovírus. Nas demais faixas etárias, predomina as ocorrências de SARS-CoV-2”, informou o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.
Em São Paulo, o número de novas internações por covid-19 no estado aumentou 60% nas últimas duas semanas, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. No final de maio, o comitê de saúde do governo de SP voltou a recomendar uso de máscara em locais fechados.
Reforço vacinal e máscaras
“É fundamental que a população retome medidas simples e eficazes como o uso de máscaras, especialmente no transporte público, seja ele coletivo ou individual – tais como ônibus, trem, metrô, barcas, táxis e aplicativos. E quem ainda não tomou a dose de reforço da vacina da covid, é preciso tomar. A vacinação é simplesmente fundamental”, alertou ainda o coordenador do InfoGripe.
Positividade de testes na rede privada aumenta
A taxa de positividade dos testes feitos em farmácias e drogarias aumentou, apontando a presença do coronavírus em 27,54% dos exames realizados período de 30 de maio a 5 de junho. É o maior índice de positividade em 16 semanas, segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). Em maio, essa taxa foi de 24,78.
“Em uma semana, tivemos quase 40% do total de casos registrados em maio, o que impõe a necessidade de mais medidas de proteção e mais velocidade na aplicação das vacinas de reforço”, disse Sérgio Mena Barreto, CEO da Abrafarma.
Avanço das sublinhagens BA.4 e BA.5
A presença das subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron subiu de 10,4% para 44% das amostras positivas para SARS-CoV-2 no período de um mês (7 a maio a 4 de junho). O avanço está por trás do aumento de casos de covid-19 e de internações observado atualmente, afirmam pesquisadores do Instituto Todos pela Saúde (ITpS). De 1º de março a 4 de junho, o ITpS analisou 123.829 testes de RT-PCR feitos pelos laboratórios privados Dasa e DB Molecular, 90% no Sudeste e Centro-Oeste. A taxa de positividade atual para SARS-CoV-2 é de 38,9%. A expectativa é de que nesta semana ocorra o pico de transmissão de BA.4 e BA.5 enquanto a BA.2 segue em declínio. Ao longo de junho e julho deve ocorrer queda de positividade dos testes e, consequentemente, de casos. O impacto da BA.4 e da BA.5 na saúde pública tende a ser inferior ao visto na onda de BA.1. Dos estados com mais amostras coletadas, todos apresentam percentual de positividade acima de 30%, exceto Goiás. São Paulo lidera com 38% dos testes positivos, seguido por Mato Grosso e Distrito Federal, com 36%, Minas Gerais, com 35%, e Rio de Janeiro, com 34%. Em relação à positividade de acordo com a faixa etária, o percentual é superior a 40% em todos os grupos a partir de 30 anos. Nas duas últimas semanas houve aumento na faixa etária de zero a 4 anos, de 10% para 14%, e estabilização da taxa nos grupos de 5 a 9 anos e de 10 a 19 anos. O crescimento foi expressivo entre os mais idosos, a partir de 80 anos, de 29% para 44%. Leia mais em https://www.itps.org.br/.
Até o dia 9 de junho, 166.645.677 pessoas foram totalmente imunizadas (receberam duas doses ou dose única). É o equivalente a 77,57% da população brasileira. Um total de 95.497.318 pessoas (44,45% da população total) receberam a terceira dose (reforço).
Os dados apontam que que 178.778.099 pessoas foram parcialmente imunizadas (receberam apenas uma das doses necessárias), 61,86% da população entre 5 e 11 anos tomaram a primeira dose (12.680.447 pessoas) e 35,85% da população entre 5 e 11 anos tomaram a segunda dose. É o equivalente a 7.348.749 pessoas.
Quarta dose com prescrição na rede privada
As Drogarias Pacheco e São Paulo, do grupo DPSP, começaram a oferecer, neste sábado (11), quarta dose da vacina contra a Covid para clientes de 18 anos com prescrição médica. Há cerca de uma semana, para receber o imunizante na rede privada era preciso ter mais 50 anos. A empresa também expandiu o número de lojas com o serviço. Além das unidades em Moema e Paulista, as redes começam a vacinar na capital paulista em regiões como Parque da Mooca, Indianópolis, Bela Vista, Perdizes e Casa Verde, e em uma no município de São Caetano do Sul. Fora do estado, a distribuição fica restrita a três lojas no Rio de Janeiro, uma no Espírito Santo e uma em Pernambuco.
Vacina anticovídica e esclerose múltipla
Pesquisa revela que contagem de células B ≥ 40/µL em alguns pacientes é essencial para uma resposta imunitária adequada aos reforços vacinais. Entenda.
Teste para triagem de comprometimento cognitivo pós-covid-19
Pesquisa indica que quadro pode ser avaliado por meio do teste Oxford Cognitive Screen-Plus, que é barato, portátil e fácil de usar. Saiba no que consiste a avaliação.
E mais: O Dr. Sean T. Lynch, do departamento de psiquiatria do Westchester Medical Center Health System, em Valhalla, nos Estados Unidos, e colegas, publicaram um estudo apontando que os déficits neuropsiquiátricos da covid longa são maiores do que o esperado. Os pesquisadores avaliaram 60 participantes que tiveram covid-19 seis a oito meses antes e haviam sido submetidos a exames neuropsicológicos, psiquiátricos, médicos e funcionais, testes e avaliações de qualidade de vida.
“Os sintomas que descrevemos neste artigo já foram observados por muitos médicos. Mas nosso estudo é um dos primeiros a identificar déficits específicos usando testes neuropsicológicos para melhor caracterizar a síndrome”, disse o Dr. Lynch, primeiro autor do trabalho, em entrevista. Os resultados do estudo foram publicados on-line no Journal of the Academy of Consultation-Liaison Psychiatry. Leia mais no Medscape em espanhol.
Oxímetros: baixa sensibilidade na pele escura
Subdiagnóstico de hipoxemia pode levar a demora ou ausência de tratamento entre pacientes com covid-19 negros e hispânicos, contribuindo para a possibilidade de mau prognóstico. Saiba mais.
Exposição in utero ao SARS-CoV-2 e relação com distúrbios do neurodesenvolvimento
A covid-19 na gravidez tem sido associada a um risco significativamente aumentado de distúrbios do neurodesenvolvimento em bebês no primeiro ano de vida, mostra uma nova pesquisa. “Nesta análise de 222 filhos de mães infectadas com SARS-CoV-2, em comparação com os filhos de 7.550 mães no grupo controle (não infectadas) nascidos durante o mesmo período, observamos que os diagnósticos de neurodesenvolvimento são significativamente mais comuns entre os filhos expostos à infecção materna, particularmente no terceiro trimestre”, escreveram os pesquisadores alertam os pesquisadores, liderados pelo Dr. Roy Perlis, MSc, do Massachusetts General Hospital, em Boston (EUA). Leia mais no Medscape em inglês.
Câncer e covid longa
Os pacientes com câncer representam uma proporção maior de pessoas que têm com sintomas persistentes e problemáticos após a recuperação da covid-19, uma condição conhecida como covid longa, relataram pesquisadores dos Estados Unidos na reunião anual da ASCO 2022. Leia mais no Medscape em inglês.
Baricitinibe versus dexametasona
Para pacientes com covid grave, que requerem oxigênio suplementar, a combinação de remdesivir com baricitinibe ou dexametasona levou a taxas de sobrevida semelhantes sem ventilação mecânica, mas a dexametasona foi associada a significativamente mais efeitos colaterais, no estudo controlado randomizado ACTT-4. O estudo duplo-cego avaliou a combinação de baricitinibe mais remdesivir versus dexametasona mais remdesivir na prevenção da progressão para ventilação mecânica ou morte em 1.047 pacientes (idade média, 58; 58% do sexo masculino) com covid-19 necessitando de oxigênio suplementar por fluxo, alto fluxo ou ventilação não invasiva. A sobrevida livre de ventilação mecânica no 29º dia (o desfecho primário) foi semelhante entre os grupos de estudo (87,0% no grupo baricitinibe e 87,6% no grupo dexametasona; P = 0,91).
Vacinação contra varíola símia
Canadá, Estados Unidos e Reino Unido começaram a vacinar contra a varíola as pessoas que tiveram contato próximo com pessoas infectadas. Acredita-se que essas vacinas contra a varíola tenham cerca de 85% de eficácia contra a infecção, de acordo com a OMS. A OMS não recomendou a vacinação em massa contra a varíola símia (em inglês, monkeypox), zoonose capaz de infectar humanos, em surto em diversos países. Na última semana, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos, reportaram que existem pelo menos duas cepas do vírus da varíola símia envolvidos nos surtos. Já são mais de mil infecções confirmadas em quase 30 países – e autoridades de saúde pública e pesquisadores questionam se os surtos atuais podem ser contidos.
No dia 9, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que um homem de 41 anos foi diagnosticado com varíola símia. O paciente está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista.
O mundo registrou 534.439.577 diagnósticos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2, e 6.307.218 óbitos por covid-19 até o dia 10 de junho de 2022, de acordo com o monitor Coronavírus Resource Center , da Johns Hopkins University (EUA).
Subvariantes, taxa de mortalidade e politização da saúde nos EUA
As subvariantes BA.4 e da BA.5 da variante Ômicron estão se espalhando pelos Estados Unidos e compondo uma porcentagem maior de novos casos, levantando preocupações sobre o aumento da transmissibilidade.
A taxa de mortalidade por coronavírus para americanos brancos superou as taxas para americanos negros, latinos e asiáticos, de acordo com um novo relatório do The New York Times. No início da pandemia, o vírus teve impacto desproporcional em negros e latinos. Durante os primeiros meses de 2020, a taxa de mortalidade per capita de americanos negros foi quase duas vezes maior do que a de brancos, e mais do que duas vezes maior do que a taxa de mortalidade de asiáticos.
Estudo divulgado no dia 7 no British Medical Journal (BMJ) descobriu que a taxa de mortalidade nos condados norte-americanos que votaram em candidatos democratas para presidente (como Joe Biden e Barack Obama) diminuiu 22% entre 2001 e 2019 – o dobro da taxa de redução observada nos condados que escolheram candidatos republicanos (como Donald Trump). O pesquisador Haider Warraich comenta a politização da saúde. No Medscape em inglês.
Alemanha se prepara para futuras ondas
Na Alemanha, segundo informações veiculadas no dia 7 pelo Corona Newsblog publicado na edição em alemão, os principais indicadores da pandemia estão subindo. Conforme relatado pelo Robert Koch Institute (RKI), a incidência em 7 dias foi de 276,9 casos por 100.000 habitantes em 9 de junho de 2022. No dia anterior havia 238,1 casos por 100.000 habitantes.
As tendências nacionais podem ser encontradas no relatório semanal RKI de 2 de junho de 2022: BA.4/BA.5 estão sendo cada vez mais detectadas em amostras. Apenas a frequência da BA.5 parece dobrar a partir da semana 11.
“É uma evolução bastante ruim. A variante particularmente contagiosa BA4/BA5 também está em alta aqui”, comentou o Ministro Federal da Saúde, Prof. Dr. Karl Lauterbach no Twitter.
“Infelizmente, em Portugal, a taxa de mortalidade volta a aumentar com a variante BA.5 Ômicron.” Segundo o ministro, “pode haver realmente uma onda de verão. Ainda não é certo. No entanto, agora é a hora de começar a se preparar para o outono.”

