fonte: MedScape
A Gastroplastia vertical endoscópica proporcionou perda de peso prolongada e redução das comorbidades da síndrome cardiometabólica em cinco anos, de acordo com uma nova análise retrospectiva de dados coletados prospectivamente.
Melhores desfechos cardiometabólicos após a cirurgia bariátrica foram bem documentados, mas a gastroplastia vertical endoscópica é relativamente nova, então seus desfechos não foram ainda tão bem descritos. Os resultados são animadores, embora não tão bons quanto os da cirurgia bariátrica. “Ainda é melhor, mas apenas 1% dos pacientes realizam a cirurgia, mesmo sendo candidatos”, disse o Dr. Donevan Westerveld, médico que apresentou o estudo na Digestive Disease Week®.
Entre os resultados podemos mencionar melhoras em peso, porcentagem de hemoglobina glicada (HbA1c), hipertensão arterial sistêmica e lipoproteína de baixa densidade (LDL, sigla do inglês Low-Density Lipoprotein). “Fiquei surpreso que a LDL tenha diminuído numericamente, não tanto a HbA1c e a hipertensão. Eu sabia que diminuiriam com a perda de peso”, disse o Dr. Donevan, fellow do segundo ano da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos.
O médico também solicitou diretrizes para a gastroplastia vertical endoscópica. “Uma vez que há uma melhora das comorbidades, é algo que devemos considerar”, destacou.
“É fascinante porque nos diz duas coisas importantes sobre a gastroplastia vertical endoscópica. A primeira é que o benefício na maioria dos casos dura pelo menos cinco anos. A perda de peso é duradoura. A segunda é que há melhora em todos os fatores cardiometabólicos importantes e esses efeitos são observados por até cinco anos. Portanto, são achados muito importantes que respaldam os benefícios da gastroplastia endoscópica na obesidade, nos riscos cardiometabólicos e na síndrome metabólica”, disse o Dr. Andres Acosta, Ph.D., médico e um dos moderadores da sessão em que o estudo foi apresentado, que também é professor assistente de medicina e consultor em gastroenterologia e hepatologia na Mayo Clinic, nos EUA.
Os achados também devem incentivar mais inovação. “Fazer esses procedimentos endoscópicos, com bons resultados que duram cinco anos, abre caminho para novos e melhores procedimentos, para que tenhamos uma melhor perda de peso”, disse o Dr. Andres.
Pesquisas anteriores do grupo do Dr. Donevan constataram benefícios da gastroplastia vertical endoscópica em 12 meses, como melhora na média dos níveis de HbA1c em todos os pacientes (6,1%-5,5%; P = 0,05) e naqueles com diabetes mellitus ou pré-diabetes (6,6%-5,6%; P = 0,02), redução da média da circunferência da cintura (119,66-92,75 cm; P < 0,001), redução da pressão arterial sistólica (129,02-122,23 mmHg; P = 0,023), triglicerídeos (131,84-92,36 mg/dL; P = 0,017) e alanina aminotransferase (ALT, 32,26-20,68 mg/dL; P < 0,001).
No novo estudo, o grupo acompanhou 255 pacientes que foram tratados consecutivamente na Weill Cornell Medicine de 2013 a 2021, em um, três e cinco anos após o procedimento. Entre os pacientes estavam aqueles que não tiveram sucesso com as medidas de perda de peso e não eram candidatos a cirurgia ou recusaram a cirurgia.
A média de idade foi de 45,5 anos, 69% eram do sexo feminino e a média do índice de massa corporal foi de 38,6 kg/m2. No geral, 40,3% tinham pré-diabetes ou diabetes, 26,7% tinham hipertensão, 60,8% tinham LDL acima de 100 mg/dL e 29,3% tinham ALT elevada. Sessenta e seis por cento (66%) foram acompanhados em um ano, 78% em três anos e 87% em cinco anos.
A perda de peso foi em média de 15,7% em um ano e de 15,3% em cinco anos, e os valores foram estatisticamente significativos. Entre os pacientes com diabetes e pré-diabetes, a porcentagem de HbA1c caiu de um valor ao início do estudo de 6,4% para 5,7% no primeiro ano, 6,1% no terceiro ano e 5,8% no quinto ano (P < 0,05 para todos). Para todos os pacientes, o valor caiu de 5,8% no início do estudo para 5,6% no primeiro ano, 5,7% no terceiro ano e 5,4% no quinto ano. Essas alterações não foram estatisticamente significativas.
Houve redução na pressão arterial sistólica entre os pacientes com hipertensão estágio 1, de 135 mmHg no início do estudo para 122 mmHg no primeiro ano e 121 mmHg no terceiro ano (P < 0,05 para ambos), mas a média do valor aumentou para 129 mmHg no quinto ano e não foi estatisticamente significativa. A LDL entre todos os pacientes diminuiu de 136 mg/dL no início do estudo para 125 mg/dL no primeiro ano (valor não significativo), 115 mg/dL no terceiro ano (P < 0,05) e 109 mg/dL no quinto ano (P < 0,05). Os valores de alanina transaminase diminuíram de cerca de 29 mg/dL no início do estudo para 25 mg/dL no primeiro ano, 26 mg/dL no terceiro ano e 24 mg/dL no quinto ano (P < 0,05 para todos).
Eventos adversos graves foram raros, ocorrendo em apenas dois casos (< 1%).
O estudo foi limitado pela falta de um controle simulado, e seus dados retrospectivos podem ter ocasionado viés porque muitos dos procedimentos não foram pagos pelo plano de saúde, levando a altas taxas de pagamento pelo próprio paciente.

